SOBRE2026

Terceiro dia da SOBRE2026 destaca a capacidade de sonhar como ato revolucionário

14 de agosto de 2026

Nesta quarta-feira, 29 de julho na SOBRE2026 começou com a palestra "Restauração dos Sonhos", com a engenheira florestal Danielle Celentano, analista do Instituto Socioambiental e, como se define, mãe, poetisa, jardineira agroflorestal e sonhadora. Baseada em artigo especial escrito para o evento, ela defendeu que a degradação da natureza é reflexo da degradação da sociedade e de suas desigualdades Neste contexto, sistemas sociais em colapso arrastam ecossistemas e pessoas, como já descrito em sociedades anteriores. Conservar e restaurar a natureza é, portanto, um compromisso ético com a vida e com quem virá depois de nós.

Com uma fala envolvente, ela conduziu a plateia a entender que sonhar é essencial, porque é nos sonhos que enxergamos aquilo que ainda não existe. “Restaurar significa também resgatar a capacidade de sonhar”, disse.

Sonhar, para Celentano, é um direito humano. Imaginar, criar, desejar e participar da realidade que sonhamos é parte essencial da condição humana Ao final, ela convidou os participantes a escreverem seus sonhos em post-its e compartilharem em painéis chamados de Floresta de Sonhos. "Sonhos são sementes que precisam ser plantadas. Vamos plantar essas sementes e sonhar com um mundo melhor", afirmou.

O artigo completo está disponível clique aqui.


Rodadas de Conexão promovem encontro entre elos da cadeia da restauração


Após a palestra de abertura, as Rodadas de Conexão colocaram em mesas compartilhadas, pela primeira vez na conferência, uma diversidade ampla de atores da cadeia produtiva da restauração ecológica. Pesquisadores, governo, ONGs, empresas, financiadores, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e viveiristas ocuparam o mesmo espaço com o objetivo de democratizar o acesso entre quem financia, quem pesquisa, quem faz a gestão e quem faz a restauração no campo.

A primeira rodada, de Conexões por Biomas, aproximou participantes que atuam em um mesmo bioma ou têm interesse direto em determinado território. As mesas, com nove pessoas cada, sendo oito participantes e uma relatora, reuniram elos diferentes da cadeia produtiva dentro de um mesmo bioma e foram organizadas em quatro setores: Mata Atlântica; Amazônia; Cerrado e Caatinga; e Pampa, Pantanal, zonas úmidas, manguezais e restingas.

A segunda rodada, de Conexões Temáticas, complementou a primeira com foco em desafios e oportunidades que atravessam os diferentes biomas. Quatro estações temáticas orientaram as conversas: conhecimento e experiências práticas, com dados de pesquisa, monitoramento e metodologias; assistência técnica, sementes e insumos, abordando viveiros, redes de sementes, protocolos técnicos e capacitação; financiamento e mercado, com recursos financeiros, mecanismos de fomento, modelos de negócio e investimento privado; e ambiente regulatório e políticas públicas, com marcos regulatórios e a atuação de órgãos como MMA, ICMBio, SFB, IBAMA, MAPA, FUNAI e OEMAs estaduais.


Vozes da Restauração celebra diversidade e saberes ancestrais com formatos inéditos de diálogo


A quarta-feira foi marcada pelo Vozes da Restauração, momento especial da SOBRE2026 dedicado a celebrar a diversidade e a inclusão na restauração ecológica. Em formatos de diálogo diferentes, que promoveram trocas horizontais entre diferentes formas de sentir, estar e fazer no mundo, participantes apresentaram suas experiências como agentes centrais na construção de paisagens restauradas e sistemas produtivos regenerativos.

Uma das atividades foi o Café Mundial, que culminou na oficina "Restaurar é Reencantar a Terra — Espiritualidade, Ancestralidade e Experiências Indígenas na Restauração dos Territórios". Antes da oficina, grupos indígenas que participaram do II EIRE — Encontro Indígena de Restauração Ecológica, realizado nos dias 25 e 26 de julho, relataram as experiências colhidas desde a primeira edição do evento, na SOBRE2024. Uma das experiências destacadas foi o intercâmbio entre 15 pessoas de todos os biomas que viajaram para conhecer os territórios uns dos outros e aprender como cada comunidade faz a restauração acontecer na prática. Entre as iniciativas relatadas estão a implantação de viveiros, a distribuição de mudas e sementes e parcerias com instituições.

O II EIRE reuniu representantes de 42 terras indígenas e 37 etnias do Brasil. Para os povos indígenas, a restauração é indissociável da cultura, da espiritualidade e do território. A oficina contou com duas rodadas temáticas em que os participantes escolhiam um tema e os indígenas apresentavam suas experiências.

A SOBRE2026 aconteceu de 27 a 31 de julho na Universidade de Brasília (UNB). O evento é uma realização da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica com apoio da Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado), e conta com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).




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